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A criação do SUS foi uma conquista histórica da classe trabalhadora brasileira

SUS: 31 anos de história e resistência

SUS: 31 anos de história e resistência

No último domingo (19) a Lei Orgânica nº 8.080/1990, que regulamentou o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil completou 31 anos.

Implantado a partir da Constituição Federal, o SUS é considerado um dos mais abrangentes sistemas públicos de atendimento à saúde no mundo.

Por causa dele, o Brasil é o único país do mundo com sistema universal de saúde entre nações com mais de 200 milhões de habitantes.

Além da universalidade, ele tem como diretrizes os princípios da equidade e da integralidade, possibilitando o direito à saúde de todas e todos, sem qualquer tipo de distinção.

 

A transformação gerada pelo SUS

A criação do SUS foi uma conquista histórica. Antes dele, somente quem podia pagar ou quem contribuísse à Previdência Social tinha acesso ao atendimento à saúde.

Grande parte da população de baixa renda e das famílias em situação de fragilidade social eram excluídas. Além disso, quem morava em locais distantes dos grandes centros sofria sem qualquer tipo de amparo.

Mas o SUS mudou este paradigma e revolucionou a saúde no Brasil.

Atualmente, mais de 150 milhões de pessoas dependem exclusivamente do SUS para receber atendimento à saúde, segundo o IBGE, e uma parcela significativa de pessoas que possuem plano de saúde recorrem ao SUS quando necessitam de tratamentos de alta complexidade.

Além do atendimento médico-hospitalar, o sistema também promove ações de prevenção, imunização, controle de doenças, distribuição de medicamentos, vigilância em saúde, banco de sangue, internação em enfermarias e UTIs, entre outras.

E foi o SUS quem ajudou a transformar o Brasil em uma das maiores potências mundiais em estudos, pesquisas, fabricação, distribuição e aplicação de vacinas.

O avanço trazido pode ser percebido, por exemplo, analisando o índice de mortalidade infantil no país, em crianças de 0 a 5 anos: em 1990, a taxa de mortalidade era de 62,9 a cada 100 mil nascimentos; em 2000, passou para 34,6 e 2019 para 13,9 a cada 100 mil nascidos vivos. Segundo a ONU, essa queda, de 77%, é considerada a mais expressiva em todo o mundo no período.

Em meio à Covid, foi o SUS que salvou vidas brasileiras

Com o boicote do Governo Federal no combate à pandemia de Covid-19 no Brasil, foram os profissionais de saúde do SUS que arriscaram suas próprias vidas para salvar milhares de brasileiros. Para isso, enfrentaram jornadas de trabalho contínuas, a falta de valorização, os baixos salários e as ameaças aos direitos.

Essa tem sido a realidade da nossa categoria desde o começo do ano passado.

Além disso, são os trabalhadores do SUS os responsáveis pelo avanço e sucesso da campanha de imunização contra a Covid-19 no país. A adesão é surpreendente: 94% dos brasileiros pretendem se vacinar mesmo diante das constantes campanhas anti-vacinação promovidas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (é, provavelmente, ó único chefe de Estado do mundo que se gaba de não ter sido vacinado).

Hoje, mesmo de forma atrasada por causa da negligência proposital do Governo Federal e da inação de governadores como Ratinho Jr, o Brasil já sente os efeitos positivos da vacinação, com a redução dos números de casos e de mortes em decorrência do vírus.

 

(Re)existência

Desde o seu surgimento, o SUS sofre ataques das classes dominantes do país. Afinal, os setores que desejam se apropriar dos recursos públicos são patrocinadores de projetos criados para enfraquecer tudo aquilo que é público e estatal.

Não é à toa que enquanto vemos governantes de outros países fazerem abertamente a defesa e a promoção de seus sistemas de saúde (como o Reino Unido, comandado por um primeiro-ministro de extrema direita que não se envergonha de propagandear a mensagem “protect the NHS” – que significa “proteja o NHS”), aqui no Brasil é raro ver governantes ostentando a mensagens como “Salve o SUS”.

Mas a principal ameaça contra o SUS é interna e vem direto do próprio governo Bolsonaro. O objetivo de sua gestão é promover o subfinanciamento e piora sistemática na qualidade e no alcance dos seus serviços oferecidos pelo sistema, com o intuito de direcioná-lo à iniciativa privada.

É por isso que a luta e a pressão histórica de entidades representativas e movimentos sociais é essencial em sua defesa.

A saúde é um direito de todas as pessoas e dever do Estado. Por isso, o SindSaúde-PR se mantém à frente do controle social para que o poder público efetive este direito e o acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde, bem como aos insumos como medicamentos, garantindo assim a qualidade de vida e os direitos humanos da população.

Fonte:SindSaúde