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Solidariedade: famílias do MST já doaram 500 toneladas de alimentos no Paraná durante a pandemia

Em um passado não muito distante o Brasil conseguiu a proeza de deixar o triste Mapa da Fome da ONU. Eram outros tempos, bem diferentes dos dias atuais. Hoje, as panelas vazias voltam a fazer parte da rotina em muitas famílias e seria pior se não fosse pelo Movimento dos Agricultores Rurais Sem Terra (MST), que distribuiu mais de 500 toneladas de alimentos no Paraná durante a pandemia.

Nos últimos anos vimos o desmonte de diversas políticas federais de alimentação responsáveis pela queda da fome no país, como os planos de segurança alimentar e nutricional e de safra da agricultura familiar, a política de agroecologia e produção orgânica e os programas de aquisição de alimentos e de alimentação escolar.

Sem falar na falta de efetividade na implantação do auxílio emergencial, tão necessário diante da pandemia da Covid-19, e na violenta entrada de agrotóxicos nocivos à saúde, muitos banidos há anos em países europeus ou nos Estados Unidos. Mais de 2/3 dos agrotóxicos em uso no Brasil foram liberados pelos governos Temer (1.150 autorizações) e Bolsonaro (967 autorizações).

O Brasil também sofre com o esfacelamento das políticas federais de regulação fundiária e de Reforma Agrária, que estavam sendo essenciais para o país reduzir a exclusão no campo e a miséria. É importante lembrar que a fome é um dos principais determinantes sociais das doenças, ou seja, reduzir a fome tem impacto positivo nos sistemas de Saúde.

 

A verdadeira força que vem do campo

Geladeiras e dispensas da população mais carente estariam ainda mais vazias se não fosse a ação organizada pelo MST. São toneladas de alimentos, cultivados sem agrotóxicos, doados para famílias em todas as regiões do Paraná. Tem de tudo: arroz, feijão, mandioca, milho verde, leite, pão, abóbora, abobrinha, hortaliças, quiabo, e por aí vai.

Em Castro, por exemplo, foram colhidos quatro mil quilos de feijão que farão parte de cestas de alimentos a serem doadas em Ponta Grossa. É bom lembrar que o feijão foi um dos símbolos da disparada dos preços dos alimentos. Subiu em média 45% em 2020.

Já no município de Quinta do Sol, aproximadamente 130 famílias ligadas à Pastoral da Criança receberam cerca de dois mil quilos de comida. Chegaram grãos, verduras, legumes, hortaliças, leite e derivados. Ou seja, café da manhã, almoço e janta garantidos!

A capital, Curitiba, também foi atendida, com a distribuição de leite para 600 famílias e, desde março do ano passado, nada menos do que 40,2 mil marmitas.

São diversas ações positivas, que devem ser valorizadas porque demonstram solidariedade, algo que anda em falta por esses tempos aqui no Brasil. Por estenderem as mãos para levar alimento saudável à população desassistida, em meio à mais grave crise sanitária dos últimos cem anos, o movimento tem o apoio do SindSaúde-PR.

 

Mitos e fake news

Em muitos aspectos, há similaridade entre o que o MST representa (luta pelo direito à terra) e o movimento sindical (luta por direitos, principalmente trabalhistas, e por melhores condições de trabalho). Ambos são alvos de ataques de setores das elites que não desejam que parte da população tenha acesso justamente a direitos básicos.

Por isso, assim como acontece com o SindSaúde-PR e com outros sindicatos, é muito comum o MST sofrer ataques, afinal, o Brasil é um país com profunda tradição de hiper-concentração de terra (por motivos históricos, afinal, a distribuição de terras que eram públicas sempre se deu por critérios políticos e vantagens econômicas a grupos privilegiados), grilagem (apropriação ilegal de terras) e trabalho escravo (o setor lidera as estatísticas de uso de mão de obra escrava).

O que as pessoas geralmente desconhecem é que o MST ocupa, via de regra, terras improdutivas que, segundo a Constituição Federal, deveriam ser desapropriadas, ou que são fruto de posse ilegal ou de uso irregular. Como o Poder Público está, geralmente, ligado aos interesses das elites, essas desapropriações sempre ocorreram de forma muito lenta. Por isso, as ocupações se tornaram método de acelerar o processo emperrado de forma proposital pela burocracia.

Em todo o país, são mais de 400.000 famílias assentadas e 120.000 acampadas. São famílias que saíram da situação de miséria (urbana e rural) para buscar uma nova chance na vida. Mas uma parte da sociedade, que enriquece com a miséria social, não deseja que mudanças aconteçam. Com isso, centenas de lideranças do movimento já foram assassinadas (em grande parte dos casos os participantes saem impunes). Com a facilidade para aquisição e porte de armas, a partir de decretos do Governo Federal, mais pessoas serão assassinadas a mando de membros das elites.

A parte que não contam é que a atuação do MST tem sido essencial para reduzir a extrema pobreza no país, denunciar os males dos produtos transgênicos, pautar a importância da ampliação da produção e do consumo de alimentos orgânicos e mostrar o quanto isso contribui positivamente para reduzir a sobrecarga dos sistemas públicos de Saúde.

 

Fonte: SindSaúde-pr