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Ratinho Jr maquia dados orçamentários para não negociar com servidores

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DadosEconomicoseReajusteO governo Ratinho Jr segue optando pela falta de transparência e pelas distorções quando o assunto são as contas do governo do estado. Desde o começo de seu mandato, o governador repete o mantra de que o Paraná “está no vermelho” e sem condições de investimento, mesmo que os dados digam o contrário, como mostraremos mais à frente.

Enquanto isso, as servidoras e os servidores do estado já acumulam uma defasagem salarial na casa dos 25% nos últimos cinco anos. Nessa defasagem, aliás, estão incluídos o reajuste de 1,5% que era para ter sido aplicado em janeiro deste ano.

Contas não batem

Um estudo do Fórum de Entidades Sindicais (FES, do qual o SindSaúde-PR faz parte) apontou erros e distorções nos últimos números apresentados pela Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA-PR) em relação à situação financeira do estado.

O governo aplica o mesmo método de 2020, com uma maquiagem nos números para justificar o congelamento salarial do funcionalismo:
– Apresenta um número projetando despesas altas (R$ 50,1 bilhões) e receitas baixas (entrada de R$ 43,6 bilhões), estimando um enorme deficit (R$ – 6,5 bilhões)
– Depois, esconde os números atualizados de receita (R$ 46,4 bilhões) e continua repetindo as informações antigas, mesmo sabendo que já não refletem a realidade e o deficit projetado já seria bem menor (R$ – 3,7 bilhões)
– Aí não conta os restos a pagar (R$ 879 milhões) de 2020, que podem ser usados neste ano para reduzir o “deficit” (aí já cairia para R$ – 2,8 bilhões)
– E também esconde que houve um grande superavit (R$ 5,8 bilhões) no ano passado. Ou seja, o governo tem dinheiro e a projeção real não está negativa, está positiva em R$ 3 bilhões.

Portanto, as contas de 2021 não ficariam no vermelho mesmo com a reposição salarial das servidoras e dos servidores.

Mas para justificar o descumprimento do acordo de greve de 2019 e não implantar a reposição de 1,5% e dialogar sobre o restante da defasagem, o governo continua repetindo insistentemente a mesma mentira de que “está no vermelho”.

Questão de prioridades

Mas não se trata de ter ou não os recursos, é uma questão de prioridades. Por fazer parte das elites e ser representante dos interesses delas, Ratinho Jr administra o governo como se fosse uma extensão dos interesses desse restrito grupo de privilegiados. Por isso segue distribuindo renúncias fiscais para grandes empresas e para o agronegócio.

No último ano o governo estadual abriu mão de mais de R$12 bilhões em isenções fiscais para o agronegócio e grandes empresas. Para 2022 (ano eleitoral, no qual buscará apoio à sua reeleição ou outro projeto político) a situação ficará ainda mais escandalosa: serão R$ 17 bilhões em isenções fiscais só para agradar essa camada das elites paranaenses, enquanto as servidoras e servidores sofrem com a degradação acentuada da qualidade de vida de suas famílias.

Fonte: SindSaúde Paraná