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Privatização significa lucro ao estrangeiro e miséria para brasileiros

A velha mentira sobre a “eficiência” do mercado continua sendo usada pelo Governo Federal na hora de fazer propaganda de um de seus principais objetivos: as privatizações.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, não cansam de repetir um mantra que vem sendo acentuado cada vez mais nos últimos anos. “É preciso privatizar para aumentar a eficiência e fazer o país crescer”, dizem eles enquanto tentam enganar a população.

Há pelo menos cinco anos a desculpa é sempre essa. Mas o que eles não contam é que governos inteligentes de países mais desenvolvidos consideram estratégica a manutenção de empresas estatais.

Afinal, com uma boa estatal em funcionamento, além da garantia da prestação de serviços essenciais para a população, e também para toda nossa cadeia produtiva, grande parte do lucro dessas atividades pode ser usado em benefício de todos nós, brasileiros.

Quando privatizamos, além de deixar a população refém dos interesses do mercado (que prioriza o dinheiro, e não as pessoas), é para o mesmo mercado que todos os lucros irão.

 

Eficiência para quem?

Empresas estatais existem para gerar desenvolvimento econômico e social, tanto para regiões pouco favorecidas como para o país como um todo.

Setores imprescindíveis para a soberania nacional, como fornecimento de energia e de gás e atividades ligadas à extração, refino e distribuição de petróleo, representam, também, grandes oportunidades para o governo ter recursos em caixa e investir no país.

Embora não seja objetivo principal das estatais, essas receitas também podem ser direcionadas a outros setores da máquina pública, garantindo, por exemplo, programas de transferência de renda e de moradia, além de educação e saúde de qualidade.

Entre os países desenvolvidos, aliás, essa tem sido a lógica: fortalecer as empresas públicas existentes, criar novas ou reestatizar aquelas que foram privatizadas.

Em vez de reconhecer essa importância, o que temos visto no Brasil é a velha tática de redução proposital da qualidade desses serviços. Tudo para vender mais barato, principalmente a especuladores estrangeiros.

Com o controle acionário nas mãos do mercado, não será prioridade melhorar os serviços e garantir atendimento de qualidade a cada vez mais brasileiros.

A busca pelo lucro é que irá guiar as ações, o que significa aumento do valor da prestação de serviços e diminuição dos investimentos. Ou seja, enquanto o rendimento vai todo para fora do país, os brasileiros ficam reféns de serviços cada vez piores.

 

Gasolina sobe e rentismo agradece

Um caso que evidencia o perigo das privatizações está sendo vivenciado por todos os brasileiros: o preço da gasolina está nas alturas. Afinal, em vez de estabelecer uma política nacional de abastecimento, nos últimos anos os governos (Temer e Bolsonaro) preferiram entregar de mão beijada para o mercado nossa cadeia de distribuição do setor.

Além dela, refinarias da Petrobras espalhadas pelo Brasil estão sendo sucateadas, em uma jogada criada pelo lobby para a privatização.

Enquanto o trabalhador brasileiro precisa enfrentar uma alta histórica no preço do litro da gasolina, por causa de uma escolha econômica determinada pelo mercado internacional e pela alta do dólar, os acionistas estão satisfeitos com a rentabilidade garantida pelo fatiamento do patrimônio dos brasileiros.

 

Estratégicas

Sem as privatizações, o Brasil tem mais condições de manter uma política justa de preços graças ao trabalho das estatais e, ainda, garantir que as receitas proporcionadas por essas atividades fiquem em território nacional, beneficiando os brasileiros.

Isso é bom para todos.

 

Fonte: É Público, é para todos