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O Paraná não está preparado para a pandemia do Coronavírus


O Paraná não está pronto para enfrentar a pandemia do Coronavírus Covid-19. Para proteger a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores da Saúde pública paranaense e a população, o SindSaúde-PR protocolou um ofício direcionado ao secretário de Estado da Saúde, Carlos Alberto Gebrim Preto, exigindo medidas emergenciais.

O documento pode ser conferido aqui

Estrutura laboratorial e de insumos é insuficiente

No Paraná, não será possível identificar com números mais preciso a quantidade de pessoas infectadas com a doença, uma vez que o testes só serão realizados em casos considerados gravíssimos.

“As diretrizes para enfrentamento no Paraná vão na contramão de outros locais onde o impacto da pandemia está sendo controlado. A medida tornará praticamente impossível o mapeamento epidemiológico e a rápida contenção, além de se transformar em subnotificação de um lado e inflar os dados de letalidade de outro”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Estado do Paraná (SindSaúde-PR), Olga Estefania.

“O sindicato está requerendo a ampliação dos testes, tendo como critério a sintomatologia de portabilidade do vírus”, complementa a dirigente.

Outro problema é o baixíssimo número de testes disponíveis para a contraprova no Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen, em São José dos Pinhais). Até a manhã do dia 17 de março, havia apenas 250 kits em um universo cuja necessidade poderá rapidamente chegar à dezena de milhares.

Os primeiros testes serão feitos em laboratórios nas cidades de origem ou nos serviços particulares. A contraprova é feita sempre em outro laboratório. No caso do SUS, quem faz os testes é o Lacen, enquanto no particular o Lacen poderá ser consultado, o que significa que esse estoque será rapidamente esgotado e que haverá atraso na testagem.

O SindSaúde-PR também solicitou a ampliação urgente da quantidade de kits de contraprovas.

Outro pedido é que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) tome medidas de proteção coletiva à saúde do trabalhador e faça aquisição emergencial de equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras, luvas, óculos e aventais descartáveis, para proteger os servidores de maneira eficaz.

Do mesmo modo, pede a compra de insumos como ventiladores mecânicos (essenciais para pacientes com problemas pulmonares, principal complicação do Coronavírus).

Leitos insuficientes

Antes mesmo da pandemia, em torno de 95% dos leitos de UTI em âmbito nacional já estão ocupados. Para agravar a situação, o Paraná ainda está enfrentando uma epidemia de Dengue.

Por isso, em seu ofício, o SindSaúde-PR também solicitou a ampliação emergencial da quantidade de leitos.

Segundo o CNES, o número total de leitos hospitalares no Paraná é de apenas 23.397. É pouco, perto de uma demanda que poderá chegar a dezenas de milhares só com a pandemia. Destes, 18.842 atendem ao SUS e 8.915 são para atendimento particular.

Ainda segundo o CNES, existem 2.887 leitos totais de UTI, sendo 1.844 em unidades no SUS e 1.043 na iniciativa privada.

Falta de pessoal

A Lei 18.599 de 26/10/2015 estabelece que o estado do Paraná deve ter 11.319 servidores na Saúde. Atualmente há apenas 7.125 vagas ocupadas, o que significa um deficit de quase 38%.

O sindicato quer a contratação emergencial dos 4.194 servidores, necessários para que se complete o efetivo exigido pela lei. Do mesmo modo, exige o afastamento imediato de 1.105 servidores que têm idade acima de 60 anos, além das trabalhadoras e trabalhadores que estão dentro dos grupos de risco: com doenças crônicas, problemas respiratórios, gestantes e lactantes.

Assim, o sindicato pede que esses servidores afastados sejam substituídos emergencialmente por trabalhadoras e trabalhadores temporários, mantendo o efetivo exigido pela lei para atender ao pico da epidemia do Coronavírus, mas que seja aberto imediatamente o processo para a realização do concurso público para preenchimento das vagas.

Porta de entrada

O SindSaúde-PR exige o acolhimento universal dos pacientes no SUS com a revogação imediata da Portaria 2.979/2019, pois esta quebra a universalidade do SUS, com acesso apenas para as pessoas cadastradas.

Outras medidas

O SindSaúde-PR quer medidas para diminuir o fluxo de pessoas nas farmácias especiais, garantindo a entrega do medicamento em casa. Assim, evita-se a propagação do vírus justamente em doentes crônicos e pessoas idosas que utilizam esse serviço. São mais de 500 atendimentos por dia em Curitiba.

Finalizando o documento, o sindicato também solicitou medidas flexíveis para as trabalhadoras e trabalhadores que precisam permanecer em casa para cuidar de crianças, em função do fechamento das escolas.

O SindSaúde-PR continuará atuando junto à Sesa para construir medidas eficazes para contenção da pandemia e proteção das servidoras e dos servidores, à medida que a crise for alterando a conjuntura no estado.

Fonte: SindSaúde-PR