Notícias

Metade das crianças não recebeu todas as vacinas que deveria em 2020

O Brasil se tornou uma referência mundial em Saúde pública, devido à existência de um sistema como o SUS, capaz de oferecer atendimento universal à população de um país de território continental, e também pela implementação de um programa de vacinação exemplar.

Entretanto, até isso os brasileiros estão perdendo nos últimos anos.

Apenas 51% das crianças brasileiras recebeu todas as vacinas que deveriam em 2020. A meta ideal é ficar entre 90% e 95% para todas as vacinas, com exceção da de sarampo, que não pode ser abaixo de 95%.

Os índices já vinham caindo: em 2018, estava em 77,13%. Em 2019, caiu para 71,49%. Agora, despencou para praticamente a metade das crianças.

Essa queda da cobertura vacinal é reflexo de uma política de desmonte dos serviços públicos adotada pelos governos de Michel Temer (a partir de 2016) e Jair Bolsonaro (de 2019 em diante). Com a Emenda Constitucional (EC) 95, o SUS já perdeu R$ 20 bilhões, prejudicando principalmente a população mais pobre. Os cortes também impedem melhorias das condições de trabalho das servidoras e dos servidores do setor.

Enquanto isso, o atual governo escolheu destinar R$ 1,2 trilhão ao sistema financeiro durante a pandemia do novo Coronavírus.

 

Desde 2004, o Brasil vinha cumprindo a meta em todos os anos, com uma pequena queda na Região Norte em 2015. De 2016 em diante, quando Temer assumiu, a coisa desandou. E até o sarampo voltou. Em 2019, o Brasil perdeu o certificado de erradicação da doença.

 

Balbúrdia na saúde pública

Para piorar, o governo de Jair Bolsonaro dá sequência à política de sucateamento do SUS e promove uma verdadeira balbúrdia no Ministério da Saúde. O Brasil perdeu dois ministros durante a pandemia de Covid-19 (Luis Mandetta e Nelson Teich), e segue sem titular na pasta, mantendo um ministro militar que não tem o devido conhecimento.

Isso sem contar a enxurrada de Fake News que circulam nas redes sociais, criadas pelo chamado Gabinete do Ódio (comandado pelos filhos do presidente de dentro do Palácio do Planalto) que promove preconceito contra os serviços e servidores públicos, contra os avanços promovidos pela ciência e até contra as vacinas.

Grupos antivacina apoiadores do governo são estimulados por declarações como a dada pelo próprio presidente no dia 31 de agosto, em relação à não obrigatoriedade da vacinação contra o novo Coronavírus. Entretanto, a lei 13.979/20, de autoria do próprio governo, prevê a realização compulsória de vacinação e de outras medidas profiláticas.

Além disso, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê que jovens de até 18 anos devem ser vacinados quando há recomendação das autoridades sanitárias, e o descumprimento, de acordo com a norma, resulta na cobrança de multa de três a 20 salários mínimos para os responsáveis.

 

O acesso à Saúde é direito de todas e de todos

Defender o SUS é reconhecer que a população deve ter atendimento amplo e de qualidade. O Sistema representou a democratização do acesso aos serviços de Saúde, gerando avanços inegáveis.

Para o SindSaúde-PR, sucatear o SUS é destruir os avanços conquistados desde a redemocratização e atender os interesses das elites econômicas (neste caso, da saúde privada), já qeu pouco interessa aos donos de hospitais e clínicas particulares um serviço público de qualidade, que atenda a todas e a todos, sem distinção.

 

Fonte: Sindsaude-PR