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Governo Federal desviou para militares R$ 140 milhões da Saúde que seriam para o combate à pandemia

Governo Federal desviou para militares R$ 140 milhões da Saúde que seriam para o combate à pandemia

Governo Federal desviou para militares R$ 140 milhões da Saúde que seriam para o combate à pandemiaUm relatório do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) indica que o governo de Jair Bolsonaro desviou do SUS para os militares R$ 140 milhões que deveriam ser aplicados no combate à pandemia do novo Coronavírus.

O Ministério da Defesa teve R$ 435,5 milhões para o enfrentamento à crise sanitária, mas nem todo esse recurso foi usado para salvar vidas.

Deste montante, R$ 55 milhões foram repassados à comissão aeronáutica em Washington, R$ 7 milhões para a comissão aeronáutica na Europa e R$ 3,13 milhões à comissão do Exército Brasileiro na capital dos Estados Unidos. Há gastos de cerca de R$ 6 milhões com conservação de imóveis e também para cuidados com uniformes (R$ 1 milhão) e cavalos (R$ 25 mil). Outros R$ 22 milhões foram para compra de veículos de tração mecânica.

Um outro relatório, produzido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado em 14 de julho, indica R$ 4,1 milhões de reais mal aplicados pelas Forças Armadas, além de mais R$ 9,6 milhões que “carecem de comprovação”. O valor financiou reformas de imóveis, compra de micro-ônibus e itens como mochilas e bandeiras, quando também deveria ter sido utilizado pelo SUS.

Enquanto muitas pessoas morriam de forma agonizante, por falta de medicamentos para intubação ou oxigênio, os recursos que eram do SUS bancaram o happy-hour dos militares. R$ 97,2 mil teriam sido investidos na compra de sorvetes, refrigerantes e salgadinhos.
A maior parte do dinheiro desviado do SUS foi utilizada em hospitais militares, que se recusaram a atender civis, mesmo com leitos sobrando, enquanto pessoas morriam em filas de atendimento em outros hospitais e unidades de Saúde.

Segundo o TCU, só em 2020 foram gastos ao menos R$ 2 bilhões do orçamento federal nesses hospitais. Enquanto isso, parte considerável da população brasileira esperava aflita por leitos em unidades ou por suas parcelas do auxílio emergencial

Além disso, nos estados, servidoras e servidores sofrem com a falta de estrutura, EPIs, insumos, medicamentos e, principalmente, de pessoal, como é o caso do Paraná, onde o governo estadual se nega a contratar mais profissionais, mesmo com 4 mil vagas disponíveis. Esse é mais um fator que une as gestões de Bolsonaro, Ratinho Jr e Beto Richa: são políticos para quem a saúde pública não é prioridade. Com a Reforma Administrativa que o Governo Federal pretende aprovar (e que, certamente, será aplicada aqui no Paraná), essa situação vai ficar ainda pior porque a prioridade na gestão dos serviços públicos passará a ser da iniciativa privada.

Mistura de militares e Saúde está dando ruim

Além do desvio de recursos do SUS para bancar o dia a dia já privilegiado dos militares, o loteamento do Ministério da Saúde para fardados (pelo menos 20 receberam cargos) revelou outra faceta que eles fazem esforço de esconder: a corrupção sistêmica. Os diversos casos de negociações para compras superfaturadas e cobranças de propinas na compra das vacinas envolvem diretamente militares de diferentes patentes.

A catastrófica gestão do general Eduardo Pazuello foi um dos principais fatores para o Brasil ultrapassar mais de 540 mil mortos por Covid-19. Além disso, na sexta-feira (16) foi divulgado um vídeo onde ele aparece negociando as vacinas Coronavac com uma empresa intermediária. Sairia US$ 28 por dose, quase 3 vezes a mais do que o valor pago pelo Instituto Butantan (sem intermediários).

Já o caso das tratativas para compras com superfaturamento de 1.000% das vacinas indianas Covaxin, denunciado por um servidor de carreira que se negou a assinar a aquisição, envolve dois coronéis e um tenente. O caso envolve a empresa Precisa e o deputado paranaense Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro.

Em outro caso, seis coronéis, um major e um sargento estariam envolvidos na tentativa de suborno para compra das vacinas Astrazeneca e Janssen. Do outro lado, estava um policial militar representando a empresa. O celular dele foi apreendido pela CPI do Genocídio e trouxe informações reveladoras sobre o envolvimento de muitas pessoas em esquemas de corrupção.

Desvios recursos da saúde na pandemia para outras áreas não é novidade

O governo Bolsonaro já havia desviado R$ 52 milhões que estavam previstos para campanhas com peças informativas sobre o combate ao novo Coronavírus. Os recursos foram usados para fazer propaganda institucional de ações do Executivo, com cunho político eleitoral.
O desvio foi mais uma etapa da estratégia de prolongar a pandemia em vez de combatê-la.

Já aqui no Paraná, segundo relatório da Fazenda estadual, parte dos recursos que deveria ser aplicado no combate à crise sanitária foi usada em outras áreas, como na reforma de escolas, aquisição de materiais e equipamentos (como aparelhos de comunicação, utensílios domésticos etc.) e também em outros órgãos.

Até mesmo a merenda escolar foi contabilizada no combate à Covid-19, sendo que seu gasto já existia antes da pandemia. Ou seja, para a população não perceber o fraco desempenho do governo estadual durante a pandemia, ele maquia os gastos só para dizer que usou os recursos para conter a crise.

Esses são só alguns exemplos que mostram como nossos governantes que se especializaram em enganar a população.

 

Fonte: SindSáude Paraná