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Governo Bolsonaro se articula com “Centrão” e Câmara mantém congelamento salarial para os profissionais da saúde

A Câmara dos Deputados decidiu nesta quinta-feira (20) que manterá o congelamento salarial de profissionais de Saúde e das demais categorias do funcionalismo público até o final de 2021. A decisão reverteu a votação do Senado que, no do dia anterior (19), havia derrubado os vetos do presidente da República, Jair Bolsonaro, aos artigos que protegiam algumas categorias.

Dessa forma, a Câmara manteve o veto, restabelecendo os planos originais do governo de congelar os salários e direitos de todo o funcionalismo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi o principal articulador da vitória governista, junto com o novo líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR).

O congelamento de salários e da contagem tempo de serviço para a concessão de direitos como anuênios, biênios e triênios (entre outros) foi colocado na Lei Complementar (LC) 173/2020 como uma chantagem da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, para que o governo concedesse a estados e municípios um socorro de R$ 60,1 bilhões de reais, diante das perdas de arrecadação e do aumento de gastos com saúde durante a pandemia do novo Coronavírus.

A decisão da Câmara dos Deputados comprova, mais uma vez, que quando se trata de fazer avançar o projeto de destruição de direitos das servidoras e dos servidores, o governo Bolsonaro faz aquilo que hipocritamente afirmava que não faria: compra apoio do segmento mais podre da política brasileira.

Ao colocar Ricardo Barros como líder, o governo resgata as práticas mais arcaicas de fazer política, aliando-se com os setores fisiológicos que não têm compromisso com as necessidades da população e nem com o funcionalismo.

Isso se tornou evidente também quando o presidente Bolsonaro decidiu levar o ex-presidente Michel Temer para comitiva brasileira que foi ao Líbano, após a explosão do porto da capital daquele país. “’Me sinto bem conversando com ele’, afirmou Bolsonaro na ocasião. Foi mais uma movimentação para obter apoio de políticos. Há meses o governo vem dando cargos para ex-ministros e ex-membros do primeiro escalão de Temer. Aos poucos, ambos governos vão se tornando cada vez mais semelhantes.

Para o SindSaúde-PR, A questão não se trata de ter ou não recursos, afinal, só em 2020, o governo Bolsonaro abriu mão de R$ 330 bilhões em isenções fiscais para grandes empresas e pretende aumentar o orçamento do Ministério da Defesa em R$ 38 bilhões em 2021 para agradar aos militares e setores armamentistas. Portanto trata-se de prioridades. o Governo Federal avança com sua agenda contra o serviço público, impedindo que outras esferas possam tomar a decisão de entregar às servidoras e aos servidores direitos básicos necessários à manutenção das condições dignas de vida.

Veja como votou cada deputado:

NOME PARTIDO
VOTOU EM DEFESA DAS SERVIDORAS E DOS SERVIDORES
Aliel Machado PSB
Boca Aberta Pros
Enio Verri PT
Gleisi Hoffmann PT
Gustavo Fruet PDT
Luciano Ducci PSB
Sargento Fahur PSD
Zeca Dirceu PT
   
   
VOTOU PELO CONGELAMENTO DE SALÁRIOS E DIREITOS
Aline Sleutjes PSL
Aroldo Martins Republicanos
Christiane de Souza Yared PL
Diego Garcia Pode
Felipe Francischini PSL
Filipe Barros PSL
Giacobo PL
Hermes Parcianello MDB
Leandre PV
Luisa Canziani PTB
Luiz Nishimori PL
Luizão Goulart Republicanos
Paulo Eduardo Martins PSC
Pedro Lupion DEM
Ricardo Barros PP
Roman Patriota
Rubens Bueno Cidadania
Schiavinato PP
Sergio Souza MDB
Toninho Wandscheer Pros
Vermelho PSD
   
NÃO VOTOU
Ney Leprevost PSD

Fonte: Sindsaúde-PR