Notícias

Golpe de Bolsonaro em 7 de setembro fracassou, mas a ameaça permanece

Golpe de Bolsonaro em 7 de setembro fracassou, mas a ameaça permanece

Golpe de Bolsonaro em 7 de setembro fracassou, mas a ameaça permanece

Ao contrário da prometida mobilização massiva e armada que sustentaria o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e o início de uma ditadura, os atos golpistas de 7 de setembro não cumpriram com as expectativas de Bolsonaro e de seus apoiadores extremistas.

Mas isso não significa que o risco à Democracia acabou. Pelo contrário.

Sem governar o país (seu tempo é gasto passeando em ‘motociatas’ em seu próprio nome, inaugurando pinguelas ou obras que já estavam quase prontas antes de seu governo, publicando ofensas nas redes sociais ou articulando formas de transferir mais dinheiro para o empresariado) e com medo da prisão (para ele e seus filhos, investigados em vários processos), parece que o único horizonte que encontrou é aumentar o tom contra as instituições, ameaçar os Poderes e a Democracia, e espalhar ainda mais paranoias infantis e fake news para manter sua base cada vez mais radicalizada.

Dias antes do feriado nacional, Bolsonaro declarou que se ele quisesse colocaria dois milhões de pessoas em seu apoio em São Paulo e Brasília (o que lembra muito as tentativas de Collor evitar o impeachment em 1992). Não passou nem perto.

Os públicos das duas cidades, principais focos de mobilização e financiamento, não chegaram a 10% do prometido. Nos dois casos, houve altíssimos investimentos por parte de empresários e do agronegócio, que fretaram ônibus e pagaram hotéis, alimentação e “cachê”.

O prefeito de uma cidade de 12 mil habitantes no Rio Grade do Sul foi preso em São Paulo com R$ 505 mil que, segundo a Polícia Federal, seriam utilizados para financiar os atos antidemocráticos.

Enquanto isso, o Grito dos Excluídos, tradicional manifestação popular realizada desde 1995, também saiu às ruas de todo o país, dessa vez com foco na defesa da vida, e se uniu às manifestações contra o governo Bolsonaro.

Mesmo em condições difíceis de mobilização, por causa da pandemia de Covid-19 e das ameaças de violência por parte dos apoiadores do presidente, as manifestações foram realizadas em mais de 200 cidades do país, inclusive em Curitiba, onde o SindSaúde-PR esteve presente, e ajudaram a frear os ímpetos golpistas do presidente.

 

Declaração de guerra

Desde sua preparação, os atos de 7 de setembro organizados por extremistas foram uma declaração de guerra à Democracia. Uma incitação criminosa a um levante antidemocrático, marcado por declarações golpistas de Bolsonaro aos manifestantes em São Paulo e Brasília, onde seguiu agredindo instituições e cometendo crimes de responsabilidade em plena luz do dia.

Aos olhos do planeta, Bolsonaro vai se assemelhando cada vez mais a caricatos ditadores de filmes dos anos 1980. O termo “República das Bananas” voltou a ser utilizado contra o Brasil.

As manifestações serviram apenas para isolar ainda mais Bolsonaro, inclusive de setores “da direita tradicional”, dos setores “neoliberais” (o MBL e outras organizações convocaram ato pelo impeachment para o dia 12) e do mercado (a produção de um manifesto envolvendo as principais entidades patronais causou enorme rebuliço na semana passada).

Sem proposta para tirar o Brasil do abismo que seu próprio governo criou, o presidente volta-se quase exclusivamente para sua base radical cada vez mais reduzida, num esforço de descolar as pessoas de qualquer racionalidade e deixá-las afastadas de informações reais.

Para mantê-la coesa e mobilizada, Bolsonaro e sua tropa fazem ataques permanentes, como os atuais, que têm o STF e o TSE como principais alvos, ou interfere nas instituições, como a Polícia Federal. Não por coincidência, são órgãos e instituições que estão investigando alguns de seus crimes e dos membros sua família.

A situação é tão surreal que até Queiroz, o ex-policial ligado às milícias cariocas, considerado o operador dos esquemas de rachadinhas de salários de assessores de gabinetes dos Bolsonaros, apareceu na manifestação em São Paulo, onde foi abraçado por apoiadores do presidente, o que prova que o “combate à corrupção” era apenas mais uma farsa para esconder as reais intenções desse grupo que assumiu o poder no Brasil.

A postura agressiva, autoritária e perigosa de Bolsonaro afetou partidos ‘de direita’, como PSD e PSDB e outros, que passaram a sinalizar apoio ao impeachment. Até setores das elites econômicas do país também passaram a apoiar a Democracia, mostrando que o presidente está ultrapassando limites.

 

Mobilização popular seguirá

Mesmo que tenham sido afastadas, novamente, as possibilidades de que os delírios golpistas de Bolsonaro e de seus apoiadores se concretizem, ele seguirá trabalhando para isso porque não tem outra proposta para o Brasil.

Como comprovam todas as pesquisas realizadas nos últimos meses, sua chance de vitória eleitoral em 2022 é mínima, e ele fará de tudo para desrespeitar o resultado das urnas porque já deixou evidente que o único resultado que aceitaria seria sua manutenção no poder.

Até lá, seguirá empenhado em seu projeto de rapina do Estado e de destruição dos direitos e das políticas sociais, buscando assim algum apoio empresarial e político para seu governo, que só é sustentado agora com a troca de favores, entrega de cargos, ministérios e bilhões de reais para o “Centrão”.

Assim como ocorreu no Grito dos Excluídos, e anteriormente em diversos atos públicos, , o que irá garantir que Bolsonaro e seus extremistas não destruam nossa jovem Democracia e nossos direitos é a mobilização popular e a defesa das instituições. Afinal, mesmo se discordamos de alguns posicionamentos e decisões de seus membros, são essas instituições que garantem a manutenção do Estado Democrático de Direito.

 

Ratinho Jr segue o mesmo programa

Se os movimentos populares continuarão mobilizados pelo Brasil, o mesmo ocorre em nosso estado, onde as pautas nacionais se articulam à defesa dos direitos, ameaçados também pelo governador Ratinho Jr.

Assim como Jair Bolsonaro, Ratinho Jr não governa para a população, e sim visando exclusivamente seus interesses e da ‘elite’ que o sustenta.

Isso se reflete num alinhamento político e ideológico com o Governo Federal e em políticas estaduais igualmente voltadas para a privatização do patrimônio público e o corte de direitos dos servidores, como observamos no caso da Saúde, nos congelamento do salário do funcionalismo (apoiado também em um projeto de lei do governo Bolsonaro) e de outros direitos.

As servidoras e os servidores paranaenses vivem sob um dos mais radicais e agressivos governos estaduais justamente porque ele segue à risca a mesma política de Bolsonaro (talvez porque tenha pretensões políticas maiores) usando, inclusive, o mesmo método de tentar enganar a população para jogar a opinião pública contra o funcionalismo.

Os próximos passos de nossa atuação local no Paraná, que é parte de um amplo movimento social e popular em defesa da democracia e de um país mais justo, serão definidores de um ponto final nas pretensões golpistas de Bolsonaro, o que também impactará a postura autoritária de Ratinho Jr.

Fonte: SindSaúde