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Em dia de recorde de COVID-19 em Curitiba, Prefeitura cancela cirurgias, mas libera aulas em escolas particulares

No mesmo dia em que Curitiba bateu recorde de casos confirmados de COVID-19 (879, em 17 de novembro), a Prefeitura da capital decidiu “ceder” ao poderoso lobby do ensino privado e liberar as aulas presenciais para crianças de até 10 anos que estudam em escolas particulares.

A decisão é ainda mais reveladora porque foi publicada apenas 2 dias após as eleições municipais. Isso significa que muito provavelmente a decisão já estava acertada com os representantes patronais e, de forma oportunista, o prefeito esperou passar a votação para anunciar uma medida polêmica – e que pode causar um imenso impacto na vida de quem mora na capital – sem correr o risco de comprometer a sua reeleição.

A escolha é contraditória se analisarmos outra medida da Prefeitura: a suspensão de cirurgias não-urgentes, as chamadas cirurgias eletivas, em hospitais que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja, a prefeitura reconhece o crescimento da pandemia, antevê que o quadro pode piorar e libera mais leitos, e mesmo assim opta por colocar em risco a vida da população.

Mais uma vez o poder econômico falou mais alto e a ganância se sobrepõe às vidas das pessoas. Em paralelo, o governo estadual se omite sobre o assunto.

Por mais que as crianças sofram menos com os sintomas e sequela, se tornam potenciais transmissoras. Além disso, a medida da prefeitura coloca em risco a vida das profissionais e dos profissionais de Educação que atuam nessas escolas.

 

Casos ativos e leitos lotados

A capital paranaense chegou a 7.449 casos ativos e se aproximou do recorde, que foi de 7.992 em 26 de julho (tudo isso sem contar a enorme quantidade de subnotificações). Só para comparação, em 3 de novembro eram 3.965 casos ativos.

Três hospitais chegaram a 100% de ocupação de leitos de UTI adultos do SUS para COVID-19 e outros estão próximos do limite. Na segunda-feira (16) restavam apenas 43 leitos de UTI para pacientes infectados na capital paranaense.

 

Pandemia atinge piores patamares no mundo

De forma geral, o caso do Brasil é pior do que o de outros países porque não conseguimos, até agora, frear a pandemia a um patamar seguro.

Mas mesmo outros países, principalmente da Europa e da Ásia, que conseguiram reduzir o contágio durante um tempo, estão precisando retomar as medidas mais drásticas de isolamento social por causa do aumento da contaminação. A pandemia avança de forma violenta pelo planeta: no sábado (14) foram confirmados mais de 660 mil casos pelo mundo, outro recorde. Muitos países, de diversos continentes, também bateram recorde de confirmações nesta semana.

No dia 17 também houve outro recorde superado: o de mortes pela pandemia no mundo. Foram confirmadas mais 11.115 em um único dia. O recorde anterior havia sido 8.365 em 17 de abril.

 

Taxa de transmissão da COVID-19 aumenta em Curitiba

Isso acontece porque a taxa de transmissão do vírus da COVID-19 em nosso país é altíssima. A cada 100 pessoas que contraem a doença, elas transmitem para outras 110.

Entretanto, em Curitiba esse valor é ainda maior. A cada 100 pessoas que estão com o novo Coronavírus, elas transmitem para 120. No total, são mais de 60 mil casos confirmados, mais de 1,5 mil mortos e 82% dos leitos de UTI ocupados na capital paranaense.

 

Enquanto a vida ficar em segundo plano, os casos aumentarão

Não é a primeira vez que o SindSaúde-PR alerta para as decisões da Prefeitura de Curitiba que, assim como diversas outras, escolhe priorizar o poder econômica em vez da população.

Esse vai e vem das bandeiras acontece porque o município, assim como acontece de norte a sul do Brasil, tem colocado a vida dos curitibanos em segundo plano. Enquanto milhares de pessoas têm suas vidas afetadas pela doença, os interesses dos grandes empresários são atendidos.

O SindSaúde-PR repudia o descaso dos políticos e dos setores econômicos com a vida da população.

Continuaremos defendendo a saúde das pessoas em primeiro lugar, acima de todo e qualquer lucro!

 

Fonte: SindSaúde – PR