Notícias

8 de março, dia de luta por direitos, respeito e igualdade

Antes mesmo de ser considerado mundialmente em 8 de março o Dia da Mulher, desde o início do século XIX ocorriam manifestações pelos direitos da mulher em vários países. O primeiro movimento que se tem registro é pelo direito ao voto, na 1ª Conferência da Internacional Socialista na Alemanha. Também ocorreram manifestações neste sentido na Inglaterra e nos EUA (1900 a 1907).
No Brasil, somente em 1947 foi comemorado pela primeira vez, pelo PCB.
É na história que encontramos uma crescente formação crítica acerca da realidade de opressão e de discriminação sofrida pelas mulheres ao longo de séculos. O tratamento como seres inferiores se expressou de diferentes formas como, por exemplo, o fato de serem apedrejadas, queimadas como hereges ou bruxas, porque conheciam o poder de cura pelas plantas, ou por serem violentadas pelos seus senhores e humilhadas pelos seus maridos em momentos da história em que isso era normalizado.
O processo de lutas tem sido constante, tendo sido iniciado pelo direito de votar e de ser votada.
É verdade que já caminhamos bastante, hoje milhões de mulheres, no mundo, lutam para conquistar igualdade de deveres e de direitos com os homens.

 

Nosso lugar é onde a gente quiser!

Diante das desigualdades e da opressão de gênero nos levantamos para fazer história e mudar este estado de coisas. Muitas lutas deram frutos, como o direito de eleger e de sermos eleitas governantes e legisladoras; de poder estudar e trabalhar, enfim, de assumir o papel que nos é devido na sociedade.
Legislações foram conquistadas para prevenir e penalizar a violência doméstica, como a Lei Maria da Penha, uma das maiores conquistas da história recente do país. Precisamos avançar mais.

 

Ainda há muito a superar

A caminhada ainda é longa e tem se tornado mais árdua nos últimos anos, com o crescimento de setores que insistem em manter a opressão.
A diferença salarial em relação aos homens ainda é muito alta, em torno de 22% para o mesmo cargo. Porém a nossa representação política ainda está aquém do necessário.
Agora há cota mínima de 50% de participação das mulheres nas instâncias partidárias em alguns partidos de esquerda. A legislação determina que 30% das candidaturas sejam compostas por mulheres, mas partidos conservadores alcançam as metas com candidatas como “laranjas” (ou seja, sem recursos ou estrutura para campanha) porque eles não querem realmente mudar o estado das coisas.
Temos ainda a luta contra uma das expressões mais violentas do machismo, o feminicídio, que teve um crescimento de 2% só no primeiro semestre do Brasil no ano passado. O machismo estrutural ainda está presente em inúmeras instituições.

 

Inspiração

A luta pelos direitos das mulheres tem história. Podemos citar alguns nomes de diferentes períodos como Rosa Luxemburgo, Simone de Beauvoir, Dandara dos Palmares, Nísia Floresta, Angela Davis, Judith Butler, Djamila Ribeiro, Rose Marie Muraro e muitas outras.
Devemos lembrar também de mulheres que mudaram a história da Saúde brasileira, como Anna Nery e Nise da Silveira, e da ciência, como Jaqueline de Jesus e Ester Sabino, responsáveis pelo sequenciamento do DNA do novo Coronavírus em tempo recorde (apenas 48 horas).
Falando na Covid-19, lembramos que os países que tiveram melhores resultados no enfrentamento à pandemia são comandados por mulheres. A mais lembrada é Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, mas destacam-se também a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen; a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir; e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

 

Mulheres na Saúde

Segundo estudo de cinco pesquisadoras da Fiocruz (Mônica Wermelinger; Maria Helena Machado; Maria de Fátima Lobato Tavares; Eliane dos Santos de Oliveira; Neuza Maria Nogueira Moysés) intitulado A Força de Trabalho do Setor de Saúde no Brasil: Focalizando a Feminização, a tendência à feminilização no setor saúde, registrada no período pós-70, configura uma situação peculiar.

 

A FTS no Brasil é eminentemente feminina e urbana (66% do total)

As exceções são as categorias profissionais dos médicos, em que a FT masculina e urbana representa 63% do total, e a dos veterinários, em que 62% são homens de áreas urbanas. Quanto às áreas rurais, apenas 4% da FTS estão nesses locais, e o maior contingente de profissionais é o da FTS de níveis médio e elementar, que corresponde a 85% do total da FTS nessas áreas
O Estudo lembra que existem inúmeras questões relacionadas à análise de gênero, que são apontadas por estudos relativos ao mercado de trabalho em geral, mas que não encontram análises correspondentes no setor de Saúde.
Devem-se, portanto, serem incentivadas as pesquisas que joguem luzes sobre a questão de gênero no trabalho do setor da saúde.

 

Fonte: SindSaúde-PR