Notícias

Vacinação ampla e massiva, já! (se a incompetência de Ratinho Jr não impedir)

Enquanto governadores e prefeitos de todo o país corriam atrás de formas de adquirir alguma das vacinas contra a Covid-19, o governador paranaense, Ratinho Jr, dormia em berço esplêndido.

O Paraná até havia assinado um acordo em agosto com o instituo do governo da Rússia que produz a vacina Sputnik V, para que ela fosse produzida por aqui pelo TECPAR. E que em setembro começaria a fase 3 dos testes.

Mas terça (19), o governador afirmou que agora não há mais previsão de isso acontecer. É o modo de Ratinho Jr governar: ignorar a população e investir o dinheiro público prioritariamente em propaganda de si mesmo.

 

Incompetência diplomática atrapalha

Depois de suspenderem o envio para o Paraná, os russos fecharam acordo com o governo baiano (que está entrando no STF para conseguir a liberação da Anvisa) e com a Argentina. É importante lembrar que Ratinho Jr é o governador brasileiro mais alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, cuja imagem está completamente esfacelada no cenário geopolítico mundial, e cuja ineficácia (ou escolha, já que é praticamente o único presidente no mundo a negar a importância da vacinação) fez o Brasil ficar atrás de dezenas de países.

Para tentar reduzir o problema, Ratinho Jr apresentou um plano de vacinação apenas nesta semana, mostrando falta de agilidade e de comprometimento com a vida dos paranaenses. Este plano deveria estar pronto há tempos e ter sido apresentado muito antes da disponibilização das doses de vacinas enviadas pelo Governo Federal.

 

Lentidão

O governo Ratinho Jr terá doses para atender apenas 132 mil pessoas (com 2 doses cada) que fazem parte de três grupos nesta primeira etapa: idosos com 75 anos ou mais, grupos indígenas com terras demarcadas e trabalhadoras e trabalhadores dos serviços de saúde de forma escalonada. A expectativa é que apenas 37% do pessoal da Saúde receba a imunização na 1ª etapa com os lotes de vacinas recebidos.

No total, apenas 3,14% das pessoas do grupo prioritário receberão a primeira dose, representando ínfimos 1,09% da população do estado.

O governo paranaense diz que a próxima etapa acontecerá quando o Paraná receber outro lote de vacinas e que não tem data definida para vacinar os 63% de trabalhadoras e trabalhadores de Saúde que ficarão de fora da 1ª etapa.

O Ratinho só é ágil para retirar direitos do funcionalismo. Segundo o Plano Estadual de Vacinação, serão imunizadas até o final deste ano pouco mais de 4 milhões de pessoas, de acordo com os grupos prioritários. O Paraná tem mais de 11 milhões de habitantes. Ou seja, a projeção do governo para 2021 é imunizar apenas 36% da população.

Aí depois, no longo prazo, alcançar mais 4,6 milhões.

Em comparação: o governo da Bahia anunciou que irá imunizar mais de 5 milhões de baianos até maio. Ou seja, a lentidão e a ineficácia de Ratinho Jr ainda irão custar a vida de milhares de paranaenses.

 

Tiro pela culatra

A vacina usada é a CoronaVac (aquela dos chineses que foi tão atacada pelo presidente e pelos seus apoiadores extremistas), que foi produzida pelo Instituto Butantã, de São Paulo, mas que foi confiscada politicamente pelo Ministério da Saúde depois que o negacionismo do Governo Federal foi derrotado na disputa de narrativa sobre a vacinação e após perder um lote de vacinas da AstraZeneca/Oxford, que viria da Índia.

 

Incompetência ou falta de vontade?

Este plano deixa claro que levará muito tempo para que o governo do Estado possa vacinar a maior parte da população, teríamos que ter outras fontes de vacina além daquela oferecida pelo Governo Federal. No mundo são 230 vacinas sendo desenvolvidas, destas, 10 já foram aprovadas pelos centros de pesquisas.

Por que o governador não explorou a possibilidade da produção de vacinas no Paraná, no Instituto Carlos Chagas que é uma unidade da FIOCRUZ? O fato é que o Ratinho Jr não pediu à Anvisa que fizesse a avaliação da plataforma tecnológica do laboratório para que esta produção fosse possível.

Além de tropeçar no acordo com os russos para obter a vacina contra a Covid-19, o governo paranaense também havia firmado uma proposta com o laboratório chinês Sinopharm, que apresentou 86% de eficácia de sua vacina. Entretanto, o acordo foi descontinuado de comum acordo.

 

Dados preocupantes

Segundo o ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro, os dados do Brasil preocupantes:

O Instituto Butantã pode produzir 1 milhão de doses por dia. Somos 212 milhões de brasileiras e brasileiros. São necessárias 2 doses por pessoa. Para termos vacinas para toda a população, seriam necessários 424 dias.

Não há dados sobre a capacidade de produção da Fiocruz e o alcance da vacina da AstraZeneca/Oxford. O governo brasileiro desdenhou do Fundo Global liderado pela Opas/OMS que nos daria garantia e prioridade para até 50% da população (o governo pediu apenas 44 milhões de doses, e ainda assim depois de muita pressão sobre o Ministério da Saúde).

O Brasil desdenhou da Sputnik V e não fez nenhum movimento concreto com os laboratórios Pfizer e Moderna.

Sem comando, com cada vez mais ações no STF para liberar compras isoladas por estados e municípios (à exceção do Paraná), vai acontecer aquilo que o mercado deseja: a venda nas clínicas privadas para quem pode pagar.

Tudo isso nos colocará no fim da fila do enfrentamento do Covid-19. Além de sofremos as consequências da pandemia, teremos reflexos políticos, econômicos, sociais e humanitários.

 

Cuidados devem ser mantidos

O SindSaúde-PR alerta que, mesmo com a vacinação, é extremante necessário manter todos os cuidados que estão sendo tomados desde o início da pandemia: usar máscara, manter isolamento, evitar aglomerações, usar álcool em gel, etc. Com este baixo índice de vacinação o risco continua muito alto.

As novas variações do vírus no Brasil estão chamando a atenção da comunidade científica pelo alto poder de transmissibilidade que a variação anterior e atingindo as pessoas mais jovens.

É por isso que o SindSaúde-PR está na luta para que o governo estadual cumpra com seu dever e faça uma vacinação ampla e massiva.

 

 

Fonte: SindSaúde-PR