SindSaude Quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

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  • 11/02/2020

    Repúdio ao ministro que vê servidores como parasitas

    Repúdio ao ministro que vê servidores como parasitas

    Parasita é um indivíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou preguiça. Do hospedeiro, o parasita retira alimento e causa danos. É esta a visão que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dos trabalhadores que servem ao país. Sua afirmação foi dada em alto e bom som, na última sexta-feira (7), durante evento na Faculdade Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

    Na ocasião, ele disse que a culpa do Brasil não se sustentar financeiramente seria dos servidores públicos e daquilo que ele chama de privilégios (é assim que ele se refere aos direitos dos trabalhadores). E ele usou o termo “parasitas” para se referir aos servidores.

    Certamente, o ministro não sabe o que é ter salários congelados, ou ver a qualidade de vida de sua família sendo corroída por reposições que nem de longe conseguem recuperar o que foi perdido com a inflação.

    Ele também não compreende o que significa ter que atuar sem condições estruturais para desempenhar suas funções. Também não faz ideia do que é trabalhar durante toda uma vida para atender, com cuidado e atenção, pessoas que estão em situação de fragilidade ou com a vida por um fio.

    O senhor ministro também não conhece de perto os efeitos do sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS) na vida daqueles que mais necessitam de apoio e de acolhimento. E se conhece, não se importa, porque seu governo ainda pretende acabar com a obrigatoriedade da aplicação de parte dos recursos dos royalties do petróleo com a Saúde pública.

    A questão é que um representante do governo, e do povo, não pode vir a público colocar sobre a classe trabalhadora a culpa de um modelo econômico falido e a responsabilidade sobre uma gestão incapaz de gerar resultados positivos e de mostrar um rumo saudável para o país.

    Um ministro de Estado deveria, em tese, demonstrar um mínimo de equilíbrio e entender que não lhe cabe assumir o papel de propagador de fake news. Já vimos isso no passado, com um certo ex-presidente chamou os servidores de marajás – e o resultado não foi bom para ele.

    O ministro Guedes não é ingênuo. Ele sabe muito bem que parasitas são aqueles que nada produzem, não geram desenvolvimento econômico e nem social, e que vivem à custa do esforço alheio. Parasitismo é típico justamente do meio de onde Paulo Guedes veio.

    Parasitas são aqueles que operam dentro do sistema financeiro, ou que fraudam planos de pensão em cifras bilionárias (desse assunto o senhor ministro entende bastante).

    Tais posicionamentos do atual governo são prova irrefutável do projeto político e econômico que o governo deseja implementar. E comprovam também que, para isso, o governo tentará passar por cima das servidoras e dos servidores a qualquer custo.

    Isso só reforça a necessidade da união das servidoras e dos servidores, e a urgência da construção das lutas coletivas.

    Diante das claras ameaças ao funcionalismo público brasileiro, o SindSaúde-PR repudia as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Esta matéria pode ser reproduzida desde que citada a fonte.

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