SindSaude Segunda-feira, 22 de abril de 2019

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  • 29/01/2019

    A tragédia da privatização

    A tragédia da privatização
    Douglas Magno/AFP/Getty
    Crueldade do crime em Brumadinho exige punição

    Em 2015, quando noticiamos a tragédia de Mariana, o SindSaúde repudiou a irresponsabilidade dos gestores da Vale e sugeriu que fossem inspecionadas as outras barragens. Pouco mais de três anos depois, nos deparamos com um assombroso crime ainda mais grave. Além das perdas ambientais, o número de vítimas já é três vezes maior.

    Tão grande quanto a revolta de saber o número de vidas perdidas é saber que pouco mudou entre uma tragédia e outra. E o que mudou foi para pior! Fatores como a alta no preço do minério no mercado internacional e a flexibilização das regras para retirada de licenças ambientais fizeram as atividades no Rio Doce aumentar.

    A privatização da Vale do Rio Doce, em 1997, por si só já representava uma tragédia para o país. O Brasil recebeu na época da venda algo em torno de 3,3 bilhões de reais. Para se ter uma ideia, só após o ocorrido em Brumadinho, a Justiça já bloqueou 11 bilhões de reais das contas da Vale para financiar os reparos da tragédia.

    O exemplo da Vale comprova a falácia que existe por trás do discurso pró privatizações. O domínio do interesse internacional fez a Vale estacionar no tempo, seguir com a lógica de exportar matéria prima e importar bem de consumo. Tudo isso às custas de um meio ambiente. Um desrespeito que acontece em baixo dos olhos do poder público.

    O barato saiu caro. O dinheiro da privatização não pagou a dívida externa e interna, como prometia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e ainda está gerando passivos ambientais irreparáveis que inevitavelmente impactarão na queda da qualidade de vida do povo mineiro.

    Por essas e outras que o SindSaúde mantém-se firme na postura de defender o patrimônio público. Só nas mãos do Estado, da população, é que se pode garantir que o lucro de poucos não esteja acima do interesse público. Exigimos mais uma vez que os responsáveis sejam punidos e que haja revisão dos protocolos e regras para que a fiscalização tenha autonomia para agir sem interferências políticas e sem pressão dos interesses econômicos.

    Vale reforçar o que tem rolado nas redes sociais: "Para o dono da Vale Benjamin Steinbruch fica um lucro bilionário. Para o Brasil, montanhas de buracos, e a lama de Mariana e Brumadinho espalha-se pelas cidades para todas/os lembrarem o que significa privatização: lucro de um homem, prejuízo de uma nação!"

Esta matéria pode ser reproduzida desde que citada a fonte.

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