SindSaude Sexta-feira, 19 de abril de 2019

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  • 25/01/2019

    Guilhotina na aposentadoria

    Guilhotina na aposentadoria
    Discurso quer convencer o povo que o problema são as aposentadorias

    Todo engravatado diz que tem de aprovar a Reforma da Previdência. Quem defende a Reforma como solução mágica não cita as poderosas empresas e bancos que são devedores da previdência. Não cita as reais fontes de recursos que deveriam ir para a previdência e são desviados. Não cita o montante que a Seguridade Social perde de receita com as milhares de isenções fiscais.

    Será que um pedreiro, um motorista de ônibus, uma caixa de mercado, um gari, uma cozinheira, uma trabalhadora rural, um agente penitenciário, professor ou qualquer profissional de saúde avalia que aposentadoria é regalia ou privilégio? Claro que não!

    Quem diz isso são as/os altos empresárias/os que têm dinheiro na Suíça ou em paraísos fiscais. Elas/es querem mesmo é que o povo tenha mais tempo de chicote nas costas. Essas/es nunca sentiram as chibatadas. Também defendem a Reforma políticos de posicionamentos afastados da realidade do povo.

    Nos debates das famílias já vemos jovens concluindo sabiamente: se aumentar a idade para a aposentadoria, o SUS vai ter aumento de demanda. Isso porque como esse povo sofredor, com baixa qualidade de vida, suscetível ao adoecimento no trabalho vai conseguir trabalhar? Vai adoecer tanto que a fila do SUS se multiplicará.

    Mas é grande a campanha a favor de cortar o direito à aposentadoria.

    Os bancos são os maiores interessados na aprovação da Reforma. Banqueiros querem ampliar o lucro! Eles esperam multiplicar os contratos de previdência privada. Parte da classe média acha que isso é a solução, esquecendo que muitos fundos privados de previdência, depois de encher o bolso por décadas, faliram, deixando à míngua aquelas/es que contribuíram.

    Mudanças – Não há como afirmar quais serão as mudanças porque existe projeto no Congresso, mas o governo de Bolsonaro diz que apresentará nova proposta. E a cada dia tem uma declaração diferente sobre o conteúdo das mudanças.

    MP 871/2019 - Por Medida Provisória o governo já fez uma série de mudanças nas regras do Regime Geral/INSS. Medidas similares podem ser feitas com relação às/aos servidoras/es naquilo que não depende de mudança na Constituição. Mas existem algumas certezas sobre a dita Reforma.

    1 – Ela não vem para ampliar o direito à aposentadoria.

    2 - Se você é da saúde e deseja aposentadoria especial aos 25 anos de contribuição, pode colocar as barbas de molho. Essa melhoria não está posta.

    3 - Se você que já tem pensão e está perto de se aposentar, tome cuidado! Já existe no projeto um artigo que diz que quem vier a se aposentar após a Reforma e já tiver pensão, terá de optar. Não pode acumular pensão e aposentadoria.

    4 - A idade mínima exigida para um servidor se aposentar é 60 anos. Para a servidora é 55 anos. Mais o tempo de contribuição. Para homens é de 35 anos e 30 para as mulheres. A tendência é que esses critérios sejam mexidos para que seu tempo na ativa seja ampliado.

    5 - Também está na mira aumentar o desconto previdenciário. Hoje é 11%. Querem arrancar mais dinheiro do nosso bolso já furado.

    Capitalização - O governo está dizendo que o novo modelo de previdência observará as diretrizes da capitalização. Ou seja, cada um fará uma poupança individualizada e se aposentará com aquilo que o mercado financeiro render. O atual modelo de aposentadoria é fundamentada no princípio de solidariedade entre gerações – ativas/os e aposentadas/os – em que as/os ativas/os contribuem para pagar as aposentadorias das/os outras/os. Isso deixaria de existir.

    Guedes e Bolsonaro, o descompasso - O presidente deu declarações à agência de notícias Bloomberg, que "os militares estarão numa ‘segunda parte’ da reforma”. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou quinta-feira, 24/1, em Davos, na Suíça, que "os militares são patriotas, eles gostam dessa ideia de liderar por exemplo".

    Resumindo – Para nós, civis que acordamos cedo e encaramos o trabalho o dia todo para colocar comida na mesa, estamos vendo a novela de sempre: a corda vai arrebentar do lado mais fraco, que é o nosso. Mas tem o caminho da revolta popular, da ocupação das ruas, das faixas dizendo: “Queremos nos aposentar sim e logo”.

    Exemplo - O Chile foi pioneiro no mundo em privatizar a Previdência. E hoje a maioria das avaliações chega à conclusão que a mudança no sistema previdenciário é muito negativa. Mesmo tendo a maior renda per capita da América Latina, as/os aposentadas/os recebem 30% a 40% do salário mínimo.

    O desgaste desse sistema hoje decorre de fatores como o envelhecimento da população somado ao grande número de idosos, que não contribuíram durante o período de trabalho – por falta de renda, por ter trabalhado informalmente ou quaisquer outros fatores.

    Em entrevista para InfoMoney, o economista Andray UThoff, consultor internacional e conselheiro regional da OIT e professor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, afirmou que a promessa de que o sistema geraria poupança suficiente para impulsionar a economia e garantir empregos de qualidade fracassou.

    Leia AQUI matéria completa já que a equipe econômica de Bolsonaro está se inspirando no modelo chileno para construir as propostas da Reforma da Previdência.

    Crime e castigo – Para o SindSaúde essa reforma é um crime. Será um filme de terror ver aposentadas/os cada vez mais miseráveis e a classe trabalhadora da ativa cada dia mais longe de conseguir sua merecida aposentadoria.

    Na luta! – Se alguém tira sua carteira da bolsa ou se alguém clona seu cartão bancário você reage com um sorriso? Não né? Então, a reforma é também um roubo de seu direito.

    Fique ligado nos nossos meios de comunicação porque 20 de fevereiro é o Dia Nacional de Contra a Reforma de Previdência.

    Estão assaltando o nosso patrimônio. A reação tem de ser gigantesca e em voz alta. Venha pra luta!

Esta matéria pode ser reproduzida desde que citada a fonte.

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