SindSaude Terça-feira, 14 de agosto de 2018

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  • 27/04/2018

    O SindSaúde repudia a violência e a opressão

    O SindSaúde repudia a violência e a opressão
    Massacre de 29 de abril. Foto: Ana Beatriz Pazos
    A democracia nunca esteve tão ameaçada nesses 30 anos de história

    Nos quase trinta anos da história do SindSaúde Paraná jamais atravessamos um momento tão delicado para a nossa democracia. No Rio de Janeiro assassinam uma vereadora, em Quedas do Iguaçu atentaram contra um ex-presidente. Em Curitiba houve o ataque da polícia contra manifestantes pró-Lula, ferindo dezenas de pessoas, e ainda a agressão com barras de ferro a integrantes das/dos trabalhadoras/es sem-terra.

    Tudo isso aconteceu em pouco mais de 30 dias. Nenhum desses crimes foi esclarecido até agora. Todos os crimes têm relação política. São crimes como o massacre do dia 29 de abril, que está próximo de completar três anos. Atentados que muitas vezes partem do poder público.

    Pessoas são agredidas por pensar de determinada forma. Lideranças estão sendo mortas para estancar investigações. Não foi só Marielle Franco, diversas lideranças da luta contra o desmatamento também perderam a vida. Casos recentes em que a polícia entra na sede de sindicatos sem ter mandado permitindo essa atuação.

    O Estatuto do SindSaúde estabelece princípios fundamentais na atuação do Sindicato. Entre eles estão a defesa da liberdade de opinião, a luta contra as opressões, a defesa da justiça social e dos direitos fundamentais do ser humano.

    São exatamente essas bandeiras, esses direitos que estão sendo trucidados com todos esses episódios.

    Além da violência tem se observado também a seletividade Poder Judiciário brasileiro. A Justiça tem calado diante de uma série de ataques contra a Constituição. Sem aprovação popular, poderes executivo e legislativo aniquilaram as políticas públicas. A rapidez com que estão rasgando a Constituição Federal de 1988 é absurda.

    O SindSaúde exige que o Poder Público investigue e puna esses crimes políticos com o rigor da lei.

    Exigimos também que o Poder Judiciário não se furte a desempenhar seu papel de fazer valer a Constituição Cidadã, a Constituição que conquistamos com muito sangue e muito suor. Acreditamos que toda e qualquer transformação da sociedade deve andar em sintonia com o código de leis, da decisão popular. Qualquer tentativa de regime de exceção nos cheira a armação de uma elite econômica que não se conforma com qualquer progresso dos mais necessitados.

    Não aceitaremos nenhum direito a menos!

    Confira o texto texto da juíza Raquel Domingues do Amaral, que trata desse tema.

    "Sabem do que são feitos os direitos, meus jovens?
    Sentem o seu cheiro?
    Os direitos são feitos de suor, de sangue, de carne humana apodrecida nos campos de batalha, queimada em fogueiras!

    Quando abro a Constituição no artigo quinto, além dos signos, dos enunciados vertidos em linguagem jurídica, sinto cheiro de sangue velho!
    Vejo cabeças rolando de guilhotinas, jovens mutilados, mulheres ardendo nas chamas das fogueiras! Ouço o grito enlouquecido dos empalados.
    Deparo-me com crianças famintas, enrijecidas por invernos rigorosos, falecidas às portas das fábricas com os estômagos vazios!

    Sufoco-me nas chaminés dos Campos de concentração, expelindo cinzas humanas!
    Vejo africanos convulsionando nos porões dos navios negreiros.
    Ouço o gemido das mulheres indígenas violentadas.
    Os direitos são feitos de fluido vital!
    Pra se fazer o direito mais elementar, a liberdade,
    gastou-se séculos e milhares de vidas foram tragadas, foram moídas na máquina de se fazer direitos, a revolução!

    Tu achavas que os direitos foram feitos pelos janotas que têm assento nos parlamentos e tribunais?
    Engana-te! O direito é feito com a carne do povo!
    Quando se revoga um direito, desperdiça-se milhares de vidas ...

    Os governantes que usurpam direitos, como abutres, alimentam-se dos restos mortais de todos aqueles que morreram para se converterem em direitos!

    Quando se concretiza um direito, meus jovens, eterniza-se essas milhares vidas!
    Quando concretizamos direitos, damos um sentido à tragédia humana e à nossa própria existência!
    O direito e a arte são as únicas evidências de que a odisseia terrena teve algum significado!"

Esta matéria pode ser reproduzida desde que citada a fonte.

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