SindSaude Sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

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  • 29/11/2017

    Na queda de braço, agronegócio leva a melhor

    Na queda de braço, agronegócio leva a melhor
    Secretaria vai contra a saúde da população e Paraná perde

    Aconteceu na terça-feira, 28/11, no Conselho Estadual de Saúde – CES – a votação que libera geral para a utilização de agrotóxico nas lavouras do Estado. Libera geral significa que nada muda. Que tudo fica como antes. Que não sai do papel o programa de redução de uso de veneno. Por quê? Por falta de vontade política!

    Desde o mês de maio deste ano estamos debatendo sobre a criação do Programa Estadual para Redução de Agrotóxicos e de Fertilizantes Químicos – Proera – pela Secretaria de Estado da Saúde - Sesa. Ao Conselho Estadual – CES – propusemos a criação de uma Câmara Técnica para acompanhamento das ações desse programa.

    Foi realizado, inclusive, um Seminário para aprofundar o assunto no último dia 21. Desde o princípio ficou evidenciada a posição contrária da Secretaria à criação desse programa e também do acompanhamento do CES nesse processo.

    Doenças  Por que é importante ter um programa de redução EFETIVA do uso de venenos no processo dos alimentos que chegam até as nossas mesas e envenenam as nossas famílias?

    Porque os estudos e os próprios dados da Sesa mostram que há um aumento estrondoso nos números de casos de câncer e que, na maioria dos casos, a doença está ligada à alimentação, cujo plantio utiliza veneno e/ou fertilizantes químicos.

    Muito se tem debatido sobre a aplicação do veneno que é feita por pulverização aérea. E estudos demonstram que a contaminação atinge para além do território pulverizado. É dessa forma que nascentes de rios, quintais, animais, escolas rurais também são atingidas.

    Números - O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, e o Paraná é o segundo maior consumidor de agrotóxicos do país. Só para termos uma ideia da gravidade do assunto, o glifosato – veneno mais consumido no Brasil e no Paraná no ano de 2015 – foi classificado pela Organização Mundial de Saúde como cancerígeno provável para seres humanos.

    Como se não bastasse isso, no período de 2010 a 2015 foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN – 753 casos. Essa era a média de casos por ano de intoxicação por agrotóxicos no Paraná.

    Estudos feitos pelo World Health Organization – WHO – os agrotóxicos apresentam alto grau de toxicidade intrínseca. E os efeitos na saúde humana variam de acordo com o princípio ativo, a forma de exposição, as características individuais da pessoa exposta e a dose absorvida. A literatura já descreve consequências como alergias; distúrbios gastrintestinais, respiratórios, endócrinos, reprodutivos e neurológicos; neoplasias; mortes acidentais e suicídios.

    Há comprovação científica dos males causados por muitos agrotóxicos que estão banidos em outros países, mas que no Brasil são liberados e amplamente consumidos. Vários países aprovaram leis para restrição e banimento desses venenos utilizados na agricultura.

    Infelizmente, a proposta de rejeição teve defesa veemente por parte da Secretaria.

    O SindSaúde repudia essa postura da Secretaria, que deveria estar ao lado de quem quer ver uma mudança importante na condução da agricultura do Paraná. Isso porque entendemos que o alimento é o remédio para a nossa saúde, desde que receba manejo agroecológico e de agrofloresta.

    A mão, nada invisível do agronegócio, venceu. A população do Paraná perdeu!

Esta matéria pode ser reproduzida desde que citada a fonte.

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