SindSaude Domingo, 19 de novembro de 2017

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  • 02/03/2017

    Aberração gerencial mantém greve no CHR

    Aberração gerencial mantém greve no CHR
    Administração caótica deixa profissionais quatro meses sem ver grana
    Há 120 dias sem receber os salários, parte das/os trabalhadoras/es com contratados terceirizados do Centro Hospitalar de Reabilitação mantêm a paralisação das atividades desde 14 de fevereiro. E o movimento grevista segue porque a situação de calote é uma das mais graves que conhecemos.

    Cruz credo – É um verdadeiro escárnio o número de contratos que convivem no CHR. As/os servidoras/es de ensino fundamental e médio e as/os enfermeiras/os pertencem à Sesa. Já a equipe de psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e assistentes sociais são contratados via Associação Paranaense de Reabilitação - APR. Os médicos por meio de cooperativa. Nos últimos meses teve trabalhador sem contrato formal algum. Uma situação que nos remete ao tempo em que não havia qualquer regulação para o trabalho. E a Funeas? Já está lá? Entraram de forma sorrateira, feito ratos no porão e lá seguem sob a proteção da Sesa e de sua essência privatizante.

    É o fim – O Centro Hospitalar de Reabilitação, inaugurado em 2007, tem capacidade para 81 leitos. Mas só funciona cerca de 20 a 25 leitos. Se temos tanta gente com necessidade de atendimento na área de reabilitação por que a Secretaria de Saúde não investe em seu pleno funcionamento? Por que não oferecer à população o que ela tem direito? É ou não mais uma aberração? Aberração já denunciada ao Ministério Público pelo SindSaúde.

    O Centro Hospitalar de Reabilitação é uma aberração em todos os sentidos. Foi construído na gestão Requião em cima de um terreno privado. Terreno que pertence à Associação Paranaense de Reabilitação – APR. Também era a APR que forneceria órteses e próteses, além da contratação de parte da equipe multiprofissional. Mas a Sesa tinha concurso aberto, era só chamar os profissionais e, com equipe completa, poderia ofertar os mais qualificados serviços na área de reabilitação. Se não o fez, é porque deve ter interesses maiores em jogo.

    O contrato previa que uma parte do valor fosse destinada à rescisão. Caso as pessoas fossem demitidas/os, esse seria o valor do fundo. Um dia o contrato acabou, as/os trabalhadoras/es foram demitidas/os e a Associação não tinha o dinheiro para pagar o que manda a lei. Quem quitou? Rádio-corredor informa que a APR não reservou dinheiro para pagar as rescisões contratuais. Outra aberração!

    Na mesma tecla - Já dizia o velho ditado: pau que nasce torto morre torto. Começou terceirizado, precarizado, ferrou geral! Não tem saída.

    Para que os pacientes não fiquem eternamente nas filas de espera de atendimento, para que os profissionais não sejam ainda mais penalizados, o único caminho é ter a gestão feita diretamente pelo setor público e com profissionais concursados.

    O que tem gerado a greve é a terceirização. A APR mantém os profissionais, mas alega que o repasse de um convênio não vem sendo feito. Sem os recursos do convênio não há dinheiro para pagar os funcionários.

    Confusão total - A Sesa mantinha convênio com a APR. No último trimestre de 2016, esse convênio acabou. As/os trabalhadoras/es da APR que recebiam seus salários a partir dos repasses da Sesa foram demitidas/os.

    Mas quem pagou a rescisão? Dizem que foi a Secretaria. Mas podia fazer isso? Tinha previsão que essa responsabilidade era da Sesa? Não! Pelo contrário! O que havia no termo de convênio era a Associação reservar parte dos repasses mensais para fazer frente a possíveis rescisões trabalhistas. A APR não reservou esse dinheiro e a Sesa cobriu o furo.

    Agora essas/es outras/os trabalhadoras/es da Associação estão sofrendo por conta de uma portaria do Ministério da Saúde que habilita a APR a fazer atendimentos na área de reabilitação. A prefeitura nega que tenha de pagar pelos serviços prestados pela APR. E nessa confusão total de atores quem paga o pato são as/os trabalhadoras/es que estão há quatro meses sem salário. Imagina o sufoco dessas famílias! Imagina o sentimento de desvalorização dessa galera.

    Em resumo - Nada disso precisava acontecer se a gestão fosse direta. Se o governo tivesse a intenção de fazer as ações através de seus serviços próprios. Se a ideia neoliberal de terceirizar e privatizar não estivesse sendo uma bactéria em crescimento que contagiou a cabeça dos gestores.

    O SindSaúde se solidariza com o movimento dessas/es profissionais que paralisaram as atividades e reitera a defesa de uma saúde 100% pública e estatal. Terceirizar é precarizar!

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