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Governo Ratinho Jr contribui para a exaustão das servidoras e dos servidores da Saúde no Paraná

Foto: AEN

Uma pesquisa do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) mostrou que, durante a pandemia de Covid-19, 87% das profissionais e dos profissionais de Enfermagem demonstram sinais da Síndrome de Burnout: doença que ocorre quando a exaustão em relação ao trabalho é completa, física e mental.

80% das pessoas que responderam à pesquisa estavam trabalhando na linha de frente do enfrentamento à Covid-19.

O medo de levar o novo Coronavírus para o ambiente familiar afetava 93,3% das trabalhadoras e dos trabalhadores entrevistadas. Quase 60% residia com pessoas do grupo de risco. Além disso, as pessoas relataram preocupação de ficar doente (86%) e de ter cuidados exagerados com contatos pessoais, higiene e limpeza (81,7%).

Uma outra pesquisa do Núcleo de Estudos da Burocracia da Escola de Administração de Empresa de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, divulgada ainda no início da pandemia, mostrava que a maioria dos profissionais de saúde que atuavam no combate ao novo Coronavírus se sentia despreparada, abandonada pelos governos e com medo da doença. Foram ouvidos 1.456 trabalhadoras e trabalhadores da área na época.

 

Falta de apoio dos governos

O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, somado à falta de investimentos na Saúde e nas pesquisas, além da atitude agressiva nas relações internacionais com os países produtores de vacinas, foram responsáveis diretos pelo aumento no número de contaminados e de mortes, e isso afetou o nosso trabalho na Saúde.

Ao pressionarem pela flexibilização da quarentena, pela reabertura das escolas e de atividades não essenciais e incentivar aglomerações, fizeram com que os hospitais lotassem.

Desde o começo da pandemia, o SindSaúde-PR alertou que o governo paranaense, apesar do tempo que teve entre o início da pandemia no exterior e a chegada ao Brasil, não havia se preparado.

Durante toda a pandemia, o sindicato vem fazendo denúncias sobre problemas estruturais e as falhas de gestores que não estavam proporcionando capacitação e equipamentos adequados e em quantidade suficiente para atender as normas técnicas de proteção para salvar vidas.

Mas as movimentações políticas do governo Ratinho Jr e de sua fiel bancada na Assembleia Legislativa também são responsáveis pelo esgotamento da nossa categoria. Juntos, aprovaram o projeto que desestrutura a carreira do funcionalismo, congela salários e retira outros direitos. Tudo isso em meio à pandemia, quando servidoras e servidores da Saúde e de outras categorias estão trabalhando no limite para salvar a população e para o estado não parar.

Nem o compromisso de parte do valor da reposição salarial, de 1,5% neste ano, assumido ao final da greve de 2019, o governo quer cumprir.

Para piorar, a ausência de política nacional de saúde também afeta quem está lutando para salvar vidas. O governo Bolsonaro vetou integralmente o projeto que previa compensação financeira para trabalhadoras e trabalhadores que ficassem incapacitados em consequência de sua atuação para conter a pandemia.

Ao mesmo tempo, tentou isentar os agentes públicos de qualquer responsabilidade por atos e omissões no enfrentamento à Covid-19, livrando gestores que atuam com irresponsabilidade sanitária.  O Supremo Tribunal Federal (STF) interveio na MP 966 e limitou o alcance da norma ao determinar que os atos, relacionados à pandemia, praticados por agentes públicos devem observar critérios técnicos e científicos de entidades médicas e sanitárias.

Também negligenciaram diante da possibilidade de imunização em massa da população impedindo que as vacinas chegassem em quantidade para suprir as necessidades da população.

Além de sofrer com os desafios do dia a dia, ver colegas contaminados e pessoas morrendo em velocidade e quantidade muito maior do que a habitual, nossa categoria ainda sofre os impactos das decisões políticas de quem deveria estar garantindo estrutura, apoio e valorização.

 

Como resistir?

As servidoras e os servidores paranaenses estão duplamente cansados: da exaustão causada pela pandemia (e ampliada pela crescente desvalorização) e das mentiras do governo estadual.

Por isso, precisamos lutar e denunciar insistentemente todos os desmandos do governo. A maioria da população desconhece essa situação.

Precisamos expor as mentiras do governo, e mostrar para as pessoas que tudo isso não afeta apenas as servidoras e os servidores, mas tem reflexo no dia a dia da população, que é prejudicada também.

Mas só teremos resultado se fizemos isso em conjunto: SindSaúde-PR, a categoria, e o conjunto das servidoras e dos servidores, de forma constante, massiva e com muita perseverança.

As servidoras e servidores da SESA, e de todas as outras categorias, estão cansados do descaso desse governo!

 

 

Fonte: SindSaúde-PR